O São Paulo viu por 77 dias a liderança escapar para o emergente Santos. Mas o torneio continental o manteve na posição da qual não desgruda há oito anos
Desde que conquistou a América e o mundo em 2005, o São Paulo não se sentia tão ameaçado no topo do Ranking PLACAR. Depois de construir uma liderança folgada sustentada por esses dois títulos e também pelo tricampeonato brasileiro de 2006 a 2008, o tricolor correu sério risco de abandonar a dianteira da tradicional pontuação, que estipula valores de acordo com a importância dos títulos.
E, de fato, o clube paulista só não perdeu a posição porque conquistou, nos últimos dias do ano, a Copa Sul-Americana — aquela mesma, normalmente rejeitada pelos clubes enquanto as ambições no Brasileiro continuam vivas. O São Paulo foi o segundo brasileiro a vencê-la (o primeiro foi o Inter, em 2008) e levou 10 pontos, suficientes para afastar o Santos, sob o reinado de Neymar, da primeira colocação. Se o Ranking PLACAR fosse atualizado mês a mês, os santistas teriam ficado 77 dias na liderança, entre as finais da Recopa (disputada em 26 de setembro) e da Copa Sul-Americana, decidida em 12 de dezembro.
Para 2013, não será o alvinegro praiano o único a ameaçar a liderança são-paulina. O ano passado terminou com pelo menos mais dois clubes com possibilidades de alcançar o topo da tabela. Um deles é o Flamengo, desbancado da ponta pelo São Paulo em 2005. O último ano foi pobre para o rubro-negro, sem títulos para expor na Gávea. Mesmo assim, manteve-se próximo dos dois líderes, embora veja o Santos cada vez mais de longe. O outro é o emergente Corinthians. Nunca o alvinegro esteve tão perto de ser o mais bem-sucedido clube brasileiro da história. Neste ano, se repetir o enredo de 2012 e terminará no topo.
Santos e Corinthians só confirmam em campo o que o gráfico nas páginas seguintes mostra em números: foram os clubes que mais acumularam créditos nos últimos cinco anos. Desde que Neymar estreou, em 2009 (e contando pontos para o ranking de 2010), os santistas foram capazes de conquistar 65 pontos — 20 deles com a Libertadores de 2011. O clube terminou o ano passado com 389 pontos, a apenas 7 do São Paulo.
O Timão tem uma trajetória ainda mais impressionante. No ranking de 2009, recém-promovido da série B, os mosqueteiros tinham apenas o sétimo melhor desempenho — enxergava, entre são-paulinos, flamenguistas e santistas, também palmeirenses, gremistas e cruzeirenses. Em cinco anos, colecionaram 78 pontos, a maior parte deles conquistada no ano passado. Foi em 2012 que os corintianos embolsaram a Libertadores (20 pontos) e o Mundial de Clubes (25). O Corinthians no ano passado também virou o maior pontuador do milênio, ao alcançar 124 créditos desde 2000, superando colorados (121) e são-paulinos (116).
Neste ano, São Paulo e Corinthians são os clubes que contam com mais possibilidades de melhorar seus índices. Ambos disputam Libertadores, Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil, Recopa e, se tudo der certo, Mundial. Se conquistarem todos eles, algo inédito, teriam em conta mais 86 pontos. Seria um milagre e alcançariam, em um ano, a pontuação que o Ceará levou uma história para conseguir.
Na zona intermediária, pequenas mudanças. O Palmeiras colocou o primeiro troféu na estante desde 2008 ao vencer a Copa do Brasil, o que atenuou um pouco a dor do rebaixamento e o manteve em quinto lugar no ranking, com 327 pontos. O Internacional, campeão gaúcho, alcançou 314 pontos e continua em ascensão.
O Fluminense, campeão brasileiro, chegou ao nono lugar e ultrapassou o Vasco, cuja época de vacas magras parece não ter fim — a Copa do Brasil de 2011 é a exceção que confirma a regra. E o Bahia, campeão baiano depois de 11 anos, desempatou a disputa com o Botafogo pela 12ª colocação. O supersticioso torcedor do alvinegro carioca não parece ter ficado contente com a modestíssima 13ª posição entre os maiores clubes do país.
O Ceará, vencedor da disputa em seu estado, deixou para trás o Atlético-PR, que agora é o último do pelotão da elite dos 20 maiores vencedores. Abaixo deles, as boas-vindas para os novatos Oeste de Itápolis, campeão da série C, e Oratório (Amapá), Aracruz (Espírito Santo) e Cametá (Pará) — todos vitoriosos em seus estados —, que pontuam pela primeira vez.




