O Fluminense perdeu umherói. Na última quarta-feira, Ézio Leal Moraes Filho, o Super Ézio,nono maior atilheiro da história do Fluminense, com 119 gols em 237jogos, faleceu aos 45 anos em decorrência de um câncer no pâncreas.
A seguir, relembre um texto sobre o Super Ézio publicado na edição 1172 da Placar, de fevereiro de 2000.
O fim do super-herói
Magoado com dirigentes e empresários, Ézio se afastou do futebol após encerrar a carreira

Ézio marca
Foto: Marco Antonio Cavalcanti
Ézio é o nono maior artilheiro da história do Fluminense

O super-herói do Fluminense nos anos 90 foi derrotado por uma lesãono ligamento cruzado do joelho esquerdo, em 1998, quando estava jogandopelo Atlético-MG. Aos 34 anos, o ex-jogador mora no Rio de Janeiro eé sócio de uma empresa de venda e instalação de divisórias, forros episos.
O calvário de Ézio começou em 1996. Ídolo no Fluminense, o atacantetransferiu-se para o Atlético-MG. Poucos meses depois, sofreu a lesão elutou para voltar aos gramados durante dois anos. Sem contrato, com 32anos e voltando após um sério problema no joelho, o jogador bateu naporta do clube que deixou como ídolo, mas os dirigentes não quiseramnem conversar, devido a uma ação na Justiça. “Eles tinham uma dívidaque fizeram e não cumpriram. Quando você não serve mais para eles, aspessoas que se aproximam do futebol para levar alguma vantagem teabandonam, não respeitam seu passado.”
O atacante insistiu em voltar aos gramados. “Tentei retornar por umcaminho que é determinado pelo meio, ou seja, através de empresários.Como estava com 32 anos e com uma lesão no joelho, eles não atendiam aotelefone. Isso me magoou muito”, diz.
Ézio não poupa críticas aos seus companheiros de profissão. “Nossaclasse é muito desunida. Abrimos espaço para pessoas que chegam noalambrado do clube e damos a eles 10%, 15% ou 20% para discutir nossoscontratos. Não seria melhor um dirigente ex-jogador? Foi por essesmotivos que deixei o meio do futebol.” Antes de se dedicar totalmente àsua empresa, Ézio pensou em abrir uma escolinha e tentou a carreira dedirigente, mas, em suas palavras, “se não tiver ninguém para dar umaforça, não tem chance”.